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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Feirinha da Música no CMRMCAT: MÚSICA E TRABALHO

Desde março, o Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola (CMRMCAT) está convidando músicos, coletivos artísticos, pesquisadores, produtores culturais, professores, gestores de projetos sociais e outros afins para participar de uma plenária onde são elaboradas ações que promovam o debate sobre os mais diversos temas relacionados a música feita na cidade do Rio de Janeiro. Uma ação que busca estimular a ocupação democrática e garantir a pluralidade de representação dentro de um equipamento público da prefeitura.  As reuniões são quinzenais e o debate feito nos encontros culmina em um evento: "A Feirinha da Música".

A primeira Feirinha será realizada no CMRMCAT, no dia 2 de maio e terá como tema: Música e Trabalho. O convite é aberto para toda sociedade e a entrada é gratuita. 

 

terça-feira, 14 de abril de 2009

Comunicação, Música, Desenvolvimento Local e Algumas Cabeças Pensantes

Mesa de palestras e debate na UFRJ discute virtudes, promessas e problemas do novo mercado de música no Brasil e na Europa

por Leonardo De Marchi


Neste último dia 03 de Abril, deu-se início, em grande estilo, aos eventos da Rede Rio Música em 2009. Em parceria com o Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Eco-Pós), o Instituto Overmundo e o Sebrae-RJ, e organizado pelo Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação (NEPCOM), coordenado pelo professor da Escola de Comunicação Micael Herschmann (Eco-UFRJ), contando com o apoio do doutorando Leonardo De Marchi (Eco-Pós UFRJ), realizou-se a mesa de palestras e debate Comunicação, Música e Desenvolvimento Local: Balanço da Reestruturação da Indústria da Música, parte do Ciclo de Palestras da RRM. Este evento foi patrocinado pela FAPERJ, Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), do Ministério de Relações Exteriores e Cooperação da Espanha.

O objetivo do encontro foi reunir, pela primeira vez, estudiosos das recentes
transformações da indústria da música no Brasil e na Europa para discutir aspectos como viabilidade, vantagens, desvantagens, potencialidades, além de problemas presentes e futuros de novos negócios de música.

Começando às dez horas – claro,
contando com o tradicional atraso carioca de trinta minutos – a primeira palestra foi proferida pelo professor Luis Alfonso Albornoz , da Faculdade de Humanidades, Comunicação e Documentação da Universidade Carlos III de Madri. Em sua exposição acerca dos desafios e perspectivas para a música digital, o professor argentino enfatizou alguns dos desafios mais sensíveis aos novos modelos de produção, circulação e consumo de música por redes de computadores. Sua preocupação não se fixou apenas na viabilidade dos chamados “novos modelos” de negócios; também esteve voltada para o fomento de políticas públicas que possibilitem e garantam uma produção, distribuição e acesso amplo aos produtos culturais.

É neste sentido, sublinhou, que o debate sobre o que é “pirataria” (venda de produtos falsificados) ou direito ao acesso a bens simbólicos (descarregar um disco pela rede Internet), por exemplo, assume dramaticidade crítica no debate cultural contemporâneo.

Em seguida, Oona Castro, diretora executiva do Instituto Overmundo, apresentou um interessante painel sobre o Tecnobrega de Belém do Pará. Sua exposição deixou clara a viabilidade econômica e relevância cultural do Tecnobrega para a cidade de Belém. Baseando-se nas impressi
onantes informações publicadas em seu recente livro, (escrito com Ronaldo Lemos, "Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música" - editora Aeroplano, 2008"), a pesquisadora ressaltou o que existe de mais inovador neste novo modelo de negócio com música, isto é, ao contrário da tradicional prática da indústria de música, especialmente a gravada, há um uso heterodoxo dos direitos autorais para a produção, circulação e consumo de música. Em poucos termos, pode-se dizer que a lógica aqui é distribuir o produto seja como for: quanto mais uma gravação for espalhada por redes de produtores e consumidores, maiores os lucros para todos os agentes envolvidos. Isto requer, portanto, que o zelo pela proteção dos direitos autorais caia para planos inferiores na dinâmica deste mercado. E, por isto, o enorme êxito comercial deste tipo de “negócio aberto” (open business), que anima não só o Tecnobrega do Pará como também o Kuduro da África lusitana ou a Cumbia Villera argentina, parece estar promissoramente apontando para uma nova forma de fazer e consumir a música de forma sustentável.

Os argumentos de Luis e Oona ganharam ainda mais eco quando, na sequência, o professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Micael Herschmann, abordou a crise da indústria fonográfica e uma de suas soluções: a ênfase nos espetáculos ao vivo através do exemplo do Circuito do Samba e C
horo na Lapa, tradicional bairro boêmio do Rio de Janeiro. Igualmente se valendo das informações reunidas durante sua pesquisa e publicadas em seu livro "Lapa: cidade da música" (Mauad X, 2007), Herschmann destacou a importância do espetáculo musical como uma via para o desenvolvimento econômico local. O elogio do professor ao caso da Lapa não reside apenas em seu êxito financeiro – afinal, hoje, o bairro voltou a ser um centro econômico significativo para a economia da cidade –; está especialmente em ser singular exemplo de desenvolvimento econômico e cultural capitaneado pela associação de empresários, músicos e moradores da região em parceria com o poder público. Ainda que agora tenha se tornado um desafio manter o caráter democrático do local, observou o palestrante, devido a seu próprio sucesso, continua a impressionar e a inspirar novas experiências o modo pelo qual empresários e músicos daquela região capitalizaram a tradicional associação dos gêneros Samba e Choro com o bairro – daí o pesquisador classificar a Lapa como certo tipo de “parque temático”.

As convergências entre as falas dos pa
lestrantes impressionaram. Pode-se mesmo afirmar que desenvolvimento local, governança e acesso democrático aos bens simbólicos foram palavras-chave no evento. Se, por um lado, todos enalteceram a relevância desses novos negócios da música, por outro, deixaram evidentes os graves desafios de longo prazo para essas novas formas de produzir, distribuir e consumir música. Concorda-se que é preciso, para evitar situações oligopólicas, reunir iniciativa privada e poder público para garantir um acesso pleno a tais bens simbólicos.

Em seguida, deu-se início ao debate. As provocações de H
elena Aragão, também do Instituto Overmundo, e Arthur Coelho Bezerra, membro da Área de Economia Criativa do Sebrae-RJ e da Rede Rio Música, buscaram ressaltar alguns dos aspectos mais chamativos das apresentações anteriores, como os debates sobre “pirataria” na Espanha ou a longevidade de fenômenos como o Tecnobrega e a Lapa, no Brasil. As tréplicas reforçaram a necessidade de continuidade nas pesquisas e discussões acerca deste “novo mercado de música” que se anuncia no ocaso do modelo tradicional da indústria fonográfica.

Finalmente, as perguntas e comentários do público – que, se não chegou a lotar o Salão Dourado da UFRJ, foi sem dúvida atento e participativo – sublinha
ram o interesse pelo tema. Também estes questionamentos apontavam preocupações com os desafios e possibilidades que as novas formas de produção de música apresentam. Afinal, se há indicações de novos modelos, nada garante que continuem sendo uma referência em um futuro próximo.
A mesa foi encerrada às treze horas. Felizmente, por fim, ficou a sens
ação não apenas de dever cumprido como também de que uma importante via de diálogo entre estes investigadores foi aberta e que encontros instigantes como este se repetirão em breve.

realização:




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Rede Rio Música na Feira da Música de Fortaleza



De 20 a 23 de Agosto será realizada a sétima edição da Feira da Música de Fortaleza. O objetivo deste evento é juntar potenciais agentes de vários estados brasileiros – entre produtores de festivais, centros culturais, casas de show, selos e distribuidores – e colocá-los em contato com bandas, grupos e músicos que realizam sua produção independente, visando um encontro de interesses de ambos os negociadores. É a oportunidade de negócios no ramo da produção, entretenimento, industrialização e comercialização, entre outras atividades do mercado musical.


Graças ao apoio do Sebrae/RJ, a Rede Rio Música enviará dois representantes para participar desta Feira! O produtor Gustavo Leão ficará responsável por participar da Rodada de Negócios, viabilizando oportunidades de shows e negociando a distribuição de discos das bandas da Rede. Já a produtora Grazi Calazans ficará responsável pelo stand da Rede Rio Música, comercializando CDs, DVDs e vinis das bandas fluminenses e divulgando a Rede para todos os presentes na Feira.



E você também pode estar representado lá! Se você está no Rio de Janeiro, possui uma banda e faz (ou deseja fazer) parte da RRM, entre em contato com a Grazi ou com o Gustavo para deixar seu material de divulgação.


As bandas que tiverem interesse em disponibilizar seus materiais (CDs, camisetas, broches, etc.) para serem colocados no estande da RRM para comercialização durante o evento deverão enviá-los para a Grazi (graziellacs@gmail.com), junto de uma lista indicando o material entregue, sua quantidade e os respectivos preços.


E quem tiver interesse em entregar CDs, releases, etc. para serem distribuídos de graça durante as rodadas de negócios, visando a sua divulgação e possível geração de negócios, deverá enviar tais materiais para o Gustavo (gustavoslls@gmail.com). Os materiais entregues ao Gustavo não serão devolvidos.


É isso aí, pessoal, esperamos que o Rio esteja bem representado e que esta Feira (com o perdão do trocadilho) renda bons frutos!
.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fechando com chave de ouro



Era tanta gente participando da mesa, que quase daria para armar um time para jogar uma bolinha, depois da última etapa do Ciclo de Palestras e Debates da Rede Rio Música, no auditório da Estácio de Sá (Centro, Rio). O tema da noite foi “Festivais e eventos musicais, associativismo e empreendedorismo musical”. Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe) vacilou e não apareceu para participar da mesa, como estava combinado. Mas estavam lá para falar com as cerca de 130 pessoas presentes: Gabriel Thomaz (Autoramas / Gravadora Discos), Rodrigo Lariú (Abrafin / Midsummer Madness) e Pedro de Luna (Araribóia Rock), todos participantes ativos da Rede Rio Música, e também Léo Feijó (Grupo Matriz), Lencinho (Circo Voador / Mostra Livre de Artes) e Jomardo Jomas (Festival MADA - RN).


Lencinho falou sobre a diversidade que a Mostra Livre de Artes – também conhecida como MoLA – abriga, hoje em dia, e de como isso nasceu do feedback do público. Ele falou da vida agitada que leva um produtor cultural, disse que não fica fechado numa sala com ar condicionado e fumando charutos e que as pessoas que vão aos shows precisam pagar ingresso. Porque só assim os shows podem acontecer.


Pedro de Luna contou como o Araribóia Rock começou como um movimento e virou um coletivo. Ele ressaltou o lado prático do trabalho que desenvolve e a importância do contato com os políticos. Deu como exemplo a ocasião em que entregou na secretaria de Cultura de Niterói (cidade em que atua) um pacote com 30 CDs de bandas da região. Rodrigo Lariú, que também é de Niterói, celebrou os 20 anos de seu selo, o Midsummer Madness, e anunciou o lançamento do DVD do grupo Fanfarra Paradiso. Para ele, que odeia o esquema voz-e-violão e considera “lixo” 98% do que está no My Space, a palavra-chave é “parceria”: “A Abrafin (Associação Brasileira dos Festivais Independentes) é uma prova de que as pessoas podem gerar resultados muito melhores se associando.”


Jomardo Jomas, potiguar que está trabalhando temporariamente no Rio com assessoria política, produtor do festival Mada (Música Alimento da Alma), concordou com Lariú: “É importante se associar...” E acrescentou: “Quem está tocando no festival tem que ter prazer de participar. E quem está na produção tem que ter prazer de trabalhar.” Ao falar sobre “mercado independente”, perguntou: “Independente de quê? Você depende de abrir uma página na internet. Depende de fazer contatos...”


Léo Feijó, um dos sócios da Casa da Matriz e de outras oito casas que funcionam no Rio (entre elas, o Teatro Odisséia e o Cine Lapa), disse que hoje não conta com nenhum grande patrocinador e mesmo assim realiza entre 60 e 80 shows por mês. Ele achou importante destacar que a “música de qualidade está em diversos ritmos, não só no rock”.


Gabriel Thomaz, do Autoramas, apontou o comportamento empreendedor como grande responsável pelos resultados que surgem de seu trabalho. Para ele, é graças a isso que a banda consegue sobreviver, apesar de não haver investimentos gigantescos.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

Em defesa do direito autoral





Terceiro dia do Ciclo de Palestras e Debates. Desta vez, o espaço não estava completamente lotado. Dos 150 lugares disponíveis no auditório da Estácio de Sá, no Centro do Rio, “apenas” 144 foram ocupados. Na mesa de palestrantes, para falar sobre “Direitos autorais e entidades protetoras”, estavam Débora Sztajnberg (advogada e professora), Glória Braga (Ecad) e Chico Ribeiro (Abramus). A mediação ficou por conta de Mayrton Bahia, hoje coordenador do curso de produção musical que há na Estácio de Sá. Para começar, o mediador disse que atualmente não dá para falarmos sobre pirataria de maneira isolada, sem levar em conta o que está acontecendo no resto do mundo. Ele falou de digitalização e de cybercultura, de como hoje as pessoas se apropriam das coisas para reprocessá-las. “O copy and paste”, apontou, “faz com que haja uma mudança no modo de se fazer arte”.



Bahia perguntou: os territórios e as fronteiras estão desaparecendo? Ele falou da Europa fechando suas fronteiras para os que vêm de países pobres, citou a “Amazônia sendo leiloada” e disse que as leis foram feitas para lidar com um mundo material que, cada vez mais, está entrando numa era de digitalização. Onde ficam então a propriedade, o direito e o autor? Eram questões que ele esperava ver respondidas pelos três palestrantes daquele fim de tarde. O mestre sabia que as respostas não seriam simples. E para “complicar” ainda mais definiu a época atual como aquela em que deixamos de ser só uma massa passiva de espectadores. Para o produtor-professor, “hoje, todos pegam informação, reprocessam, e se tornam autores”.





A advogada Débora Sztajnberg começou sua participação dizendo que hoje é raro aquele artista que não quer ser dono do seu catálogo. Falou do conteúdo musical em celulares, uma prática que está virando moda. “Esses downloads são uma realidade que não se pode negar”, declarou a doutora. E acrescentou em seguida: “Sou da corrente que acredita que a pessoa que gosta de música não deixa de comprar o CD, ou baixar o conteúdo com a possibilidade de imprimir a capa etc.” Ao falar nessa história de baixar conteúdos, ela lembrou de novo dos celulares e aí deu aos artistas um aviso em voz mais alta: “Atenção na hora de assinar contratos. Atenção ao que está escrito sobre ringtones e truetones. O artista tem que controlar tudo.” Tudo? “Tudo. Mas pode chegar um momento da carreira em que isso fica impossível. Tem que se criar uma estrutura para administrar isso.” Para finalizar sua exposição inicial, a doutora falou do jabá e citou o projeto de lei 1048/2003, do deputado Fernando Ferro.



Chico Ribeiro, da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), disse que para quem trabalha com direito autoral “não existe informalidade; tradição de boca não funciona , tem que ser tudo documentado. Muitos problemas surgem daí. Quando eu estudava Direito, ouvi uma frase muito interessante: ‘Contrato existe por causa de amigos.’ A grande malandragem de hoje em dia é seguir tudo à risca.” Ele contou a história do surgimento das editoras e falou de diversas particularidades do direito –moral e patrimonial



Glória Braga, presidente do Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos), começou tentando fazer com que a platéia não entendesse o Ecad de forma errada, coisa que ela acredita acontecer com freqüência: “O Ecad não e um órgão público. Cuida de interesses privados.” Ela falou também, de cara, da importância da documentação na hora de registrar uma música – detalhe que ajuda na hora de pagar os direitos autorais. Para Glória Braga, “foi-se o tempo em que o artista vivia só de sua obra tocar no rádio”. Ela fez uma alusão à internet. Mas emendou um lamento: hoje, os provedores querem veicular música sem pagar os direitos. “Ficam dizendo que vão divulgar a música...” Para ela, que comanda uma estrutura que conta com 600 funcionários e tem 150 representantes autônomos credenciados, “o YouTube é um escândalo.” Por quê? “O autor é quem deve decidir se sua obra vai ser executada sem a cobrança de direitos autorais”, prega.



A internet parece ser mesmo um “problema” para o Ecad. Ao falar sobre o My Space, por exemplo, respondendo a pergunta de alguém da platéia, ela disse que se uma pessoa quiser fazer uma versão de uma música qualquer para colocar em sua página (naquele site de relacionamento), esta pessoa deve pedir autorização. O responsável pelo pagamento dos direitos, informa Glória Braga, é o My Space: “O artista pede autorização para gravar uma versão. Quem deve pagar os direitos é o My Space.”

sexta-feira, 6 de junho de 2008

No segundo dia do Ciclo, três pontos de vista diferentes e valiosíssimos



Três contribuições bastante diferentes e cada uma delas muito, muito valiosa. Assim foram as participações dos palestrantes na segundo dia do Ciclo de Palestras e Debates organizado pela Rede Rio Música. Mais uma vez, o auditório da Estácio de Sá (com capacidade para 150 pessoas), no Centro, ficou pequeno para tanta gente. Geral se espremendo para ver e ouvir Stanley Whibbe (Sebrae), Cláudio Jorge (Petrobras) e Graça Gomes (Alternativa Produções). A idéia era mesmo ter diferentes pontos de vista. Cláudio Jorge é o responsável, na Petrobras, por receber e analisar projetos na área de música. Graça Gomes é produtora e desenvolveu toda uma carreira em cima da apresentação e realização de projetos. Stanley Whibbe presta consultoria ao Sebrae e a diversas outras instituições e é profundo conhecedor da legislação no que diz respeito a leis de incentivo.


Cláudio Jorge começou dando detalhes importantes para quem pretende trabalhar com projetos culturais. Ele ensinou que “como a marca do patrocinador será colocada” e “quando isso vai custar” são duas questões fundamentais. Mas, antes disso, apresentar o projeto requer alguns cuidados. “Se você trabalha com cinema, não coloque o projeto dentro de uma caixa de rolo de filme. A primeira coisa a ser feita por quem recebe o projeto é jogar aquela caixa
fora. O que conta é o conteúdo. A apresentação é importante, claro, mas não se deve exagerar na originalidade. É sempre importante não viajar demais na maionese”, exemplificou Cláudio Jorge. Para ele, uma coisa importante também é a chance de apresentar o projeto pessoalmente, isto é, ter contato pessoal com o (profissional que representa o) patrocinador.


Graça Gomes (http://www.alternativadesign.com.br/) ofereceu a quem estava lá no auditório da Estácio uma valiosa cartilha, com detalhes sobre a elaboração de um projeto. Item por item, estava tudo lá, do índice aos anexos – passando pela contrapartida e pela estratégia de ação.


Stanley Whibbe falou, entre outras coisas, sobre as diversas fontes de financiamento. E deu um exemplo que deixou todos pensativos sobre os dias de hoje e o consumo de cultura: “Há 40 anos, o produtor de teatro ia ao banco, dava uma garantia e conseguia empréstimo. Havia um mercado consumidor que garantia e possibilitava aquilo.” O lucro com o espetáculo dava ao profissional a chance de pagar o financiamento e ainda ganhar dinheiro com aquela atividade. Hoje, segundo Whibbe, apenas 2% da população economicamente ativa são consumidores de bens culturais. “No Brasil, não se formou um público para consumo de produtos culturais”, lamentou o consultor, sem no entanto mostrar-se pessimista em relação ao assunto.Com um conhecimento enciclopédico dos detalhes das leis, Whibbe chamou a atenção dos presentes para os detalhes que
dificultam a inscrição de projetos no Ministério da Cultura.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ciclo de palestras e debates começa com os dois pés direitos



O auditório da Estácio de Sá ficou pequeno. A capacidade do lugar – localizado na Avenida Presidente Vragas, coração do Rio – era de 150 pessoas. Ma havia gente se espremendo pelos cantos e outros tantos em pé, nos corredores laterais. Tudo para acompanhar o time de especialistas selecionados pela Rede Rio Música para falar sobre “Novas mídias e formas de divulgação”, na primeira noite do Ciclo de Palestras e Debates. Paulo Lima (iMúsica), Luiz Pimentel (MySpace - SP), Gabriel Marques (Moptop), Bernardo Palmeira (Binário / Bolacha Discos) e Maurício Bussab (Tratore - SP) fizeram apresentações sobre seus trabalhos, dedicaram-se ao tema da noite e responderam as perguntas da platéia. Sucesso absoluto.

Quem começou falando foi Rodrigo Brantes, gerente do Sebrae. Ele contou sobre como a coordenação da instituição que representa está olhando para a música no Rio de Janeiro e apostando nela. Brantes destacou o Rio como um lugar único em matéria de criatividade e disse que “quem dará o ritmo para o desenvolvimento do projeto não é o Sebrae, é a Rede (Rio Música).” Arthur Bezerra, da área da economia criativa da instituição, fez em seguida um apanhado sobre a formação do grupo.

Depois, foi a vez de o primeiro debatedor da noite mostrar seus conhecimentos. Luiz Pimentel, do My Space, falou sobre os “milhares” de caminhos dentro da internet e disse que ela, a rede mundial de computadores, não pode ser apontada como inimiga da música. “A internet tem seu caminho. O CD tem seu caminho. Em 1982, a música foi para o formato digital, com o CD. Em 1999, veio o Napster”, datou o jornalista, para facilitar o entendimento de quem estava lá. Segundo Pimentel, hoje, há pessoas que têm em torno de 25 anos e que migraram para a internet, abrindo um pouco mão das formas tradicionais de ouvir música e absorver informação. E há também as de 20 e poucos anos, que já nasceram mergulhadas na WWW. Pimentel destacou ainda a Web 2.0 e falou do conceito de “gratuidade”.

Era a vez do músico e produtor Bernardo Palmeira, que começou falando das apresentações que fazia, ao vivo, com sua banda, na Praia de Ipanema, sempre aos domingos – prática que fez dele um sujeito conhecido na cidade e lhe rendeu dois vinis lançados por um selo londrino. Bernardo, um dos homens fortes da Bolacha Discos, destacou sua opção pelo formato SMD e a importância da parceria entre selo e bandas. Em seguida, passou a bola para Maurício Bussab, da distribuidora Tratore, que seguiu falando sobre a internet.

Para Bussab, “trabalhar sozinho é uma maldição” e “as pessoas precisam se associar”. Ele disse ainda que, hoje, “ninguém é descoberto” e “o artista tem que entender de negócio, tem que saber gerenciar as pessoas que trabalham em volta”. Bussab posicionou-se contra a DRM (digital right management) e disse a partir disso que, “digitalmente, o que está sendo oferecido ao consumidor é pouco e ruim”. Para ele, “DRM é a melhor maneira de perder um cliente, porque o cliente paga e você complica a vida dele”.

Gabriel Marques, da banda Mop Top, que estava lá para falar da experiência que teve com seu grupo ao usar novas formas de divulgação, contou a história de sua carreira. No momento em que uma grande gravadora fez a proposta a eles, pesaram os prós e os contras. “O grande contra foi não poder mais colocar a música de graça na internet”, declarou o artista. “Os primeiros meses foram frustrantes para a gente. Tínhamos que comprar o CD a R$ 13 da gravadora para vender a R$ 10 nos shows”, lembrou, dizendo que era fundamental que o público conquistado até ali tivesse acesso às músicas. Gabriel declarou lá em primeira mão que em breve o Mop Top vai lançar seu segundo disco pela Universal Music e que poder gravar as coisas sem ficar controlando o relógio é ótimo. E brincou: “A gente agora não joga nas 11, a gente joga nas seis...”

Paulo Lima, diretor executivo do iMúsica, falou do negócio que ajuda a dirigir. Disse ele que “o problema não é DRM, é existirem mais de um DRM”. Lima acredita que o volume de negócios no formato digital vai crescer e revela otimista os números da empresa que dirige: “Em dezembro de 2006, tínhamos 100.000 músicas disponíveis. Hoje, em junho de 2008, temos 1.750.000."

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ciclo de Palestras e Debates

Está fechada a programação do Ciclo de Palestras e Debates produzido pela Rede Rio Música, que acontecerá em Junho na Universidade Estácio de Sá. Os cartazes e filipetas já vão começar a ser espalhados pela cidade. A programação completa está abaixo, após a imagem do cartaz.




CICLO DE PALESTRAS E DEBATES DA REDE RIO MÚSICA
Datas: 3, 5, 10 e 11 de junho de 2008
Horário: 18 às 22 h
Local: Universidade Estácio de Sá – Campus Presidente Vargas
(Av. Presidente Vargas, 642 – auditório)
Entrada franca


Programação completa:

Dia 03 de junho (terça)
Debates: Novas Mídias e Formas de Divulgação
Paulo Lima (iMúsica)
Luiz Pimentel (MySpace - SP)
Gabriel Marques (Moptop)
Bernardo Palmeira (Binário / Bolacha Discos)
Maurício Bussab (Tratore - SP)



Dia 05 de junho (quinta)
Palestras: Formatação de Projetos e Captação de Recursos
Stanley Whibbe (Sebrae)
Cláudio Jorge (Petrobras)
Graça Gomes (Alternativa Produções)



Dia 10 de junho (terça)
Palestras: Direitos Autorais e Entidades Protetoras
Débora Sztajnberg (Debs Consultoria)
Glória Braga (Ecad)
Chico Ribeiro (Abramus)



Dia 11 de junho (quarta)
Debates: Festivais e Eventos Musicais, Associativismo e Empreendedorismo Musical
Gabriel Thomaz (Rede Rio Música / Autoramas / Gravadora Discos)
Rodrigo Lariú (Rede Rio Música / Abrafin / Midsummer Madness)
Pedro de Luna (Rede Rio Música / Araribóia Rock)
Léo Feijó (Grupo Matriz)
Lencinho (Circo Voador / Mostra Livre de Artes)
Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe)
Jomardo Jomas (MADA - RN)